Tributação de NCM e CNAE: como consultar produtos e atividades com mais segurança no Simples Nacional
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Tributação de NCM e CNAE: como consultar produtos e atividades com mais segurança no Simples Nacional
A tributação de uma empresa não depende apenas do seu faturamento.
Antes de calcular impostos, transmitir declarações ou gerar o DAS, o contador precisa compreender duas informações fundamentais:
- o que a empresa faz;
- o que a empresa vende.
A primeira resposta está relacionada ao CNAE, que identifica as atividades econômicas exercidas pelo negócio.
A segunda envolve a NCM, utilizada para classificar fiscalmente as mercadorias.
Embora sejam códigos diferentes, ambos influenciam diretamente a rotina tributária das empresas.
Um CNAE inadequado pode provocar problemas no enquadramento da atividade, na opção pelo Simples Nacional, na escolha do anexo e na emissão de documentos fiscais.
Uma NCM incorreta pode afetar PIS, Cofins, ICMS, ICMS-ST, benefícios fiscais, regras monofásicas e diversas outras análises relacionadas ao produto.
O desafio é que essas informações nem sempre são simples de consultar.
A legislação tributária está distribuída entre tabelas, anexos, normas federais, regras estaduais e alterações de vigência. Além disso, códigos aparentemente semelhantes podem possuir tratamentos diferentes.
É nesse cenário que entram os módulos é-NCM e é-CNAE, da é-Simples.
Eles ajudam o escritório contábil a consultar informações tributárias de produtos e atividades de forma mais organizada, reduzindo pesquisas manuais e facilitando a análise técnica.
Mais do que localizar um código, esses recursos podem ajudar o contador a prevenir erros, orientar clientes, revisar cadastros e criar novos serviços para o escritório.
O que é NCM?
NCM significa Nomenclatura Comum do Mercosul.
Ela é utilizada para classificar mercadorias por meio de um código numérico. A classificação fiscal considera as características reais do produto e segue a estrutura e os critérios definidos na própria NCM.
No Brasil, o código NCM possui oito dígitos e deve ser informado nos documentos fiscais eletrônicos de mercadorias, como NF-e e NFC-e.
A NCM ajuda a identificar o produto para diferentes finalidades tributárias e comerciais.
Ela pode influenciar análises relacionadas a:
- PIS;
- Cofins;
- ICMS;
- ICMS-ST;
- IPI;
- benefícios fiscais;
- operações monofásicas;
- importação e exportação;
- CEST;
- tratamentos diferenciados;
- IBS e CBS, conforme a regulamentação aplicável.
Isso significa que a escolha da NCM não deve ser feita apenas porque a descrição do código parece semelhante ao nome comercial do produto.
A classificação depende da natureza, composição, finalidade, funcionamento, forma de apresentação e demais características da mercadoria.
O que é CNAE?
CNAE significa Classificação Nacional de Atividades Econômicas.
Ela é o instrumento utilizado para padronizar os códigos e critérios de enquadramento das atividades econômicas exercidas pelas empresas e demais unidades produtivas.
A estrutura da CNAE é organizada de forma hierárquica, incluindo seções, divisões, grupos, classes e subclasses. A subclasse representa o nível mais detalhado normalmente utilizado nos cadastros da Administração Pública.
O CNAE aparece no cadastro do CNPJ e ajuda a informar quais atividades a empresa exerce.
Uma empresa pode possuir:
- um CNAE principal;
- um ou vários CNAEs secundários.
O CNAE principal deve representar a atividade de maior relevância econômica para a empresa.
Os CNAEs secundários representam outras atividades efetivamente exercidas.
Essa classificação influencia diferentes áreas, como:
- enquadramento tributário;
- opção e permanência no Simples Nacional;
- licenciamento;
- emissão de notas fiscais;
- incidência de ICMS ou ISS;
- enquadramento em anexos;
- obrigações acessórias;
- registros municipais e estaduais;
- autorizações específicas;
- análise de riscos da atividade.
Por isso, o CNAE não deve ser tratado apenas como uma informação utilizada na abertura da empresa.
Ele precisa acompanhar a realidade do negócio.
Qual é a diferença entre NCM e CNAE?
A diferença pode ser resumida da seguinte maneira:
CNAE identifica a atividade econômica da empresa.
NCM identifica a mercadoria.
Imagine uma loja de cosméticos.
O CNAE informa que a empresa exerce uma atividade de comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e higiene pessoal.
Já a NCM será utilizada para classificar cada mercadoria vendida, como:
- perfumes;
- cremes;
- xampus;
- sabonetes;
- desodorantes;
- produtos de maquiagem.
Duas empresas podem utilizar os mesmos códigos NCM, mas possuir CNAEs diferentes.
Da mesma forma, empresas com o mesmo CNAE podem comercializar produtos com classificações fiscais distintas.
É por isso que uma análise tributária completa precisa observar as duas informações.
O CNAE ajuda a compreender a atividade da empresa.
A NCM ajuda a compreender a tributação das mercadorias.
Por que a classificação correta é tão importante?
Muitos problemas tributários não começam na apuração.
Eles começam no cadastro.
Quando o CNAE ou a NCM está incorreto, o erro pode ser reproduzido em diferentes processos.
Uma NCM inadequada pode ser utilizada em centenas de notas fiscais.
Um CNAE desatualizado pode permanecer durante anos no CNPJ, mesmo que a atividade real da empresa tenha mudado.
Com o tempo, a inconsistência pode afetar:
- emissão de notas;
- apuração de impostos;
- segregação de receitas;
- enquadramento no Simples Nacional;
- aplicação de benefícios;
- regras de ICMS-ST;
- tratamento monofásico;
- obrigações acessórias;
- fiscalização;
- planejamento tributário.
Corrigir apenas o resultado final não resolve a origem do problema.
Por isso, o escritório precisa atuar de forma preventiva, revisando os cadastros antes que os erros se repitam.
O que é o módulo é-NCM?
O é-NCM é o módulo da é-Simples utilizado para consultar informações tributárias relacionadas a uma NCM.
O usuário informa o código desejado, seleciona o item correspondente e acessa os dados disponíveis para os diferentes tributos e operações.
A consulta permite analisar, entre outros pontos documentados:
- tributação de PIS e Cofins;
- existência de operação monofásica;
- vigência das regras;
- incidência de ICMS-ST por estado;
- segmentos relacionados ao produto;
- descrições aplicáveis;
- existência de Ex tarifário.
O objetivo é reunir informações que normalmente exigiriam pesquisas em diferentes fontes.
Assim, o contador consegue realizar uma análise inicial mais rapidamente e direcionar sua conferência técnica.
Como identificar produtos monofásicos no é-NCM?
Uma das utilizações do módulo é a identificação de possíveis produtos sujeitos ao regime monofásico de PIS e Cofins.
Para realizar a consulta, o usuário informa a NCM, seleciona o item e acessa a área de PIS e Cofins.
Quando aparece a Operação 04 — Monofásica, o sistema apresenta a regra relacionada ao código consultado.
No entanto, não basta encontrar a operação.
É necessário conferir:
- descrição;
- vigência;
- enquadramento real do produto.
A documentação do é-NCM alerta que uma mesma NCM pode apresentar uma operação monofásica já expirada. Nesse caso, os produtos enquadrados naquela descrição não devem ser tratados como monofásicos com base em uma regra que perdeu a vigência.
A ausência da Operação 04 na consulta indica que, segundo a base apresentada pelo módulo, aquela NCM não possui histórico de enquadramento monofásico de PIS e Cofins.
Esse recurso é relevante porque uma mesma empresa pode vender produtos com tratamentos diferentes.
Se todo o faturamento for tributado como receita comum, o cliente pode recolher PIS e Cofins dentro do DAS sobre receitas que exigiam segregação específica.
Por outro lado, classificar indevidamente um produto como monofásico pode reduzir o imposto sem fundamento.
A consulta ajuda a encontrar a regra, mas o profissional precisa confirmar se o produto corresponde à descrição legal.
Por que a vigência precisa ser conferida?
A tributação de um produto pode mudar ao longo do tempo.
Uma regra pode:
- entrar em vigor;
- ser alterada;
- ter sua descrição modificada;
- ser substituída;
- perder a validade.
Consultar apenas o código e ignorar a vigência pode levar a uma conclusão incorreta.
Por exemplo, uma NCM pode ter sido monofásica em determinado período, mas deixar de receber esse tratamento após uma alteração legislativa.
Também pode ocorrer o contrário: uma regra nova passar a valer a partir de uma data específica.
Por isso, uma consulta tributária precisa responder duas perguntas:
- Qual é a regra?
- Em qual período ela se aplica?
O é-NCM apresenta as vigências relacionadas às operações consultadas, ajudando o contador a diferenciar regras atuais de informações expiradas.
Como consultar ICMS-ST no é-NCM?
O módulo também permite analisar possíveis enquadramentos no ICMS Substituição Tributária.
Depois de consultar a NCM, o usuário seleciona a área de ICMS-ST e informa o estado que deseja analisar.
O sistema apresenta os segmentos e descrições relacionados ao código naquela unidade federativa.
Em seguida, o profissional precisa verificar:
- segmento;
- descrição da mercadoria;
- vigência;
- estado;
- características reais do produto.
Segundo a documentação do módulo, quando o segmento correspondente está vigente, existe indicação de que o produto pode estar sujeito ao ICMS-ST naquele contexto. Quando a regra aparece como expirada, ela não deve ser aplicada às operações atuais.
Caso nenhum segmento seja apresentado para o estado selecionado, a consulta indica que não foi localizado enquadramento de ICMS-ST para aquela NCM e UF na base utilizada.
Entretanto, a NCM isoladamente não deve ser utilizada como única justificativa para definir a incidência do ICMS-ST.
O contador precisa considerar também a descrição, o segmento, o CEST, a legislação estadual e as características da operação.
Por que o estado precisa ser informado na consulta de ICMS-ST?
O ICMS é um tributo estadual.
Isso significa que as regras podem variar entre as unidades federativas.
Um produto pode estar sujeito à substituição tributária em determinado estado e receber outro tratamento em outra localidade.
Também podem existir diferenças relacionadas a:
- segmentos;
- convênios;
- protocolos;
- operações internas;
- operações interestaduais;
- benefícios fiscais;
- vigências;
- margens de valor agregado;
- CEST;
- exceções.
Por isso, uma consulta genérica de NCM não é suficiente para concluir a tributação do ICMS-ST.
É necessário analisar o estado envolvido.
O é-NCM organiza a consulta por unidade federativa, permitindo que o usuário visualize as informações relacionadas ao local selecionado.
O que significa “EX” na consulta de NCM?
O termo EX representa uma exceção associada a determinado código NCM.
Em alguns casos, apenas parte das mercadorias classificadas em uma NCM recebe uma alíquota ou tratamento específico.
Isso significa que dois produtos com o mesmo código podem possuir tratamentos diferentes, dependendo da descrição correspondente ao EX.
A documentação da é-Simples explica que uma mesma NCM pode conter mais de um EX e, consequentemente, diferentes taxas aplicáveis. O usuário precisa identificar em qual descrição o produto se enquadra antes de registrar a informação no cadastro.
Esse detalhe demonstra por que não é seguro analisar uma mercadoria apenas pelo código.
A descrição completa e as características do produto continuam sendo indispensáveis.
O que é o módulo é-CNAE?
O é-CNAE é o módulo voltado à consulta das atividades econômicas e de seus possíveis reflexos tributários.
Sua função dentro da plataforma é ajudar o escritório a pesquisar uma atividade por código ou descrição e avaliar o enquadramento correspondente.
A central pública de ajuda indicada ainda não apresenta artigos detalhando telas ou funcionalidades específicas do módulo. Por isso, não seria correto atribuir ao é-CNAE recursos que não estão documentados publicamente.
Ainda assim, a consulta de CNAE possui um papel importante na rotina contábil.
Ela ajuda o profissional a iniciar análises relacionadas a:
- descrição da atividade;
- atividades compreendidas no código;
- atividades não compreendidas;
- enquadramento no Simples Nacional;
- existência de restrições;
- CNAEs ambíguos;
- incidência de ICMS ou ISS;
- possível anexo de tributação;
- necessidade de inscrição estadual ou municipal;
- compatibilidade com a operação real da empresa.
A decisão final deve considerar a legislação vigente, o contrato social, as notas explicativas da CNAE e a atividade efetivamente exercida.
CNAE permitido, impeditivo ou ambíguo no Simples Nacional
Nem toda atividade pode optar pelo Simples Nacional.
As regras oficiais diferenciam os códigos relacionados a:
- atividades permitidas;
- atividades impeditivas;
- atividades ambíguas.
Os códigos exclusivamente relacionados a atividades vedadas constam no anexo correspondente da regulamentação do Simples Nacional.
Já os CNAEs ambíguos abrangem tanto atividades permitidas quanto atividades impeditivas. Nesses casos, a empresa precisa declarar que exerce somente atividades permitidas para realizar a opção pelo regime.
Outro cuidado importante é que a existência de uma atividade vedada pode impedir a opção ou a permanência no Simples, mesmo que ela seja secundária ou represente uma parcela pequena do faturamento.
Por isso, a análise não deve observar somente o CNAE principal.
Todos os códigos cadastrados precisam ser revisados.
O CNAE sozinho define o anexo do Simples Nacional?
Não necessariamente.
O CNAE é uma referência importante para identificar a atividade, mas a tributação deve considerar o serviço efetivamente prestado e a forma como a receita foi gerada.
Uma empresa pode possuir vários CNAEs e realizar atividades enquadradas em anexos diferentes.
Além disso, algumas atividades de serviços podem sofrer influência do fator R, alternando entre os Anexos III e V de acordo com a relação entre folha de salários e Receita Bruta.
Portanto, não é seguro aplicar automaticamente o mesmo anexo a todas as receitas apenas com base no CNAE principal.
O escritório precisa analisar:
- atividade descrita na nota;
- serviço efetivamente realizado;
- contrato;
- legislação;
- CNAE relacionado;
- fator R, quando aplicável;
- existência de retenções;
- regras do ISS;
- competência da tributação.
A consulta de CNAE funciona como ponto de partida, não como substituta da análise profissional.
CNAE principal e CNAEs secundários
O CNAE principal deve representar a atividade econômica predominante da empresa.
Os CNAEs secundários registram outras atividades que também são exercidas.
Com o passar do tempo, o negócio pode mudar.
Uma empresa pode começar prestando um serviço e depois concentrar sua receita em outra atividade.
Também pode deixar de exercer uma atividade antiga, mas manter o código no CNPJ.
Essas situações podem gerar divergências entre:
- cadastro;
- notas fiscais;
- contratos;
- faturamento;
- licenças;
- tributação.
Por isso, é recomendável revisar periodicamente se:
- o CNAE principal continua representando a atividade predominante;
- os CNAEs secundários ainda são exercidos;
- existem atividades realizadas que não estão cadastradas;
- algum código pode prejudicar o enquadramento no Simples;
- as notas estão sendo emitidas de acordo com a atividade real.
Essa revisão pode ser realizada na abertura, alteração contratual, entrada de um novo cliente ou durante um diagnóstico tributário.
NCM e CNAE precisam ser analisados juntos?
Em empresas comerciais e industriais, sim.
O CNAE ajuda a compreender a atividade empresarial.
A NCM ajuda a compreender os produtos.
Imagine uma empresa cadastrada como comércio varejista de autopeças.
O CNAE pode ser compatível com essa atividade, mas cada item comercializado ainda precisa possuir sua NCM correta.
Dentro da mesma loja podem existir produtos:
- tributados normalmente;
- monofásicos;
- sujeitos ao ICMS-ST;
- sem ICMS-ST;
- com tratamentos diferentes conforme o estado.
O fato de a empresa possuir um CNAE de comércio de autopeças não significa que todos os produtos terão a mesma tributação.
Da mesma forma, uma NCM isolada não explica toda a operação da empresa.
O contador precisa relacionar:
- atividade exercida;
- mercadoria vendida;
- operação realizada;
- destinatário;
- estado;
- vigência;
- legislação aplicável.
Como uma NCM incorreta afeta a apuração do Simples Nacional?
Uma NCM inadequada pode alterar a segregação da receita no PGDAS-D.
Por exemplo, o produto pode ser tratado como:
- tributação normal;
- monofásico;
- sujeito ao ICMS-ST;
- beneficiado;
- isento;
- imune;
- sujeito a redução.
Se o sistema utiliza a NCM para identificar esses tratamentos, uma classificação errada pode levar a uma segregação incorreta.
Isso pode produzir dois resultados.
Pagamento maior do que o devido
A empresa pode recolher dentro do DAS uma parcela tributária que deveria ter sido segregada.
Pagamento menor do que o devido
A empresa pode aplicar uma redução ou segregação sem possuir direito ao tratamento.
Em ambos os casos, o escritório terá retrabalho.
Será necessário revisar os produtos, recalcular as competências, retificar declarações e orientar o cliente.
Por isso, a revisão da NCM deve acontecer antes da apuração sempre que houver dúvidas relevantes no cadastro.
Como um CNAE incorreto afeta a empresa?
Um CNAE incompatível com a realidade pode gerar diferentes problemas.
Entre eles:
- impedimento à opção pelo Simples;
- risco de exclusão do regime;
- enquadramento incorreto de receitas;
- utilização do anexo errado;
- divergência com as notas emitidas;
- licenças incompatíveis;
- ausência de inscrição necessária;
- cadastro desatualizado;
- dificuldades em fiscalizações;
- problemas na contratação com clientes;
- restrições em atividades regulamentadas.
Também pode ocorrer o cenário inverso.
A empresa exerce uma atividade permitida, mas o cadastro utiliza um CNAE ambíguo ou inadequado, criando dúvidas que poderiam ser evitadas com uma revisão.
Como os módulos ajudam a equipe do escritório?
A consulta centralizada reduz o tempo gasto procurando informações em diferentes fontes.
Em vez de abrir várias tabelas e legislações para iniciar uma análise, o colaborador consegue localizar rapidamente os dados relacionados ao código consultado.
Isso ajuda em tarefas como:
- cadastro de novos produtos;
- revisão de clientes;
- conferência de notas;
- apuração do Simples;
- análise de ICMS-ST;
- identificação de monofásicos;
- abertura de empresas;
- alterações contratuais;
- planejamento tributário;
- atendimento a dúvidas do cliente.
A tecnologia não elimina a pesquisa técnica em situações complexas.
Ela reduz o trabalho repetitivo e ajuda o profissional a saber onde concentrar sua atenção.
Como transformar consultas de NCM e CNAE em novos honorários?
A revisão cadastral pode ser estruturada como um serviço adicional.
Muitos clientes imaginam que o cadastro de produtos e atividades precisa ser analisado apenas no momento da abertura.
Na prática, alterações legislativas, novos produtos e mudanças no negócio exigem acompanhamento.
O escritório pode oferecer diferentes serviços.
Diagnóstico de NCM
Análise de uma amostra ou de toda a base de produtos para identificar códigos vencidos, incompatíveis ou que exigem revisão.
Revisão de produtos monofásicos
Levantamento das mercadorias que podem possuir tratamento monofásico de PIS e Cofins.
Revisão de ICMS-ST
Análise de NCM, estado, segmento, CEST, descrição e vigência.
Saneamento do cadastro de produtos
Entrega de uma planilha organizada com códigos revisados e orientações para atualização no ERP.
Diagnóstico de CNAE
Revisão das atividades principal e secundárias cadastradas no CNPJ.
Análise de enquadramento no Simples Nacional
Verificação de CNAEs permitidos, impeditivos ou ambíguos.
Revisão de anexos
Análise das atividades e receitas para verificar se a segregação entre os anexos está adequada.
Acompanhamento periódico
Revisão trimestral, semestral ou anual dos cadastros.
Esses serviços podem ser cobrados de acordo com:
- quantidade de produtos;
- número de CNAEs;
- volume de documentos;
- estados envolvidos;
- complexidade da operação;
- período analisado;
- necessidade de retificações.
Como apresentar esse serviço ao cliente?
Evite vender apenas uma “consulta de código”.
O empresário precisa compreender o impacto.
Uma abordagem possível é:
“Vamos revisar as atividades cadastradas e a tributação dos seus produtos para identificar informações desatualizadas ou incompatíveis que possam afetar suas notas e seus impostos.”
Depois, explique o risco:
“Um produto com NCM incorreta pode ser tributado de forma inadequada. Da mesma forma, um CNAE incompatível pode afetar o enquadramento da empresa no Simples Nacional.”
Por fim, apresente a entrega:
“Você receberá um diagnóstico com os itens que precisam de atenção e as orientações para atualizar o cadastro da empresa.”
Assim, o serviço deixa de parecer uma pesquisa simples e passa a ser percebido como prevenção tributária.
A consulta substitui uma classificação fiscal formal?
Não.
O módulo ajuda a localizar informações e apoiar a análise.
Contudo, quando existe uma dúvida real sobre a classificação de uma mercadoria, a Receita Federal disponibiliza um procedimento formal de consulta sobre classificação fiscal. Esse processo é o instrumento adequado para obter uma resposta oficial acerca do enquadramento da mercadoria na NCM.
A classificação fiscal é responsabilidade do contribuinte, e a competência para análise da NCM pertence à Receita Federal.
Por isso, situações de maior risco podem exigir:
- laudo técnico;
- catálogo do produto;
- composição;
- especificações;
- consulta formal;
- orientação jurídica ou tributária especializada.
A plataforma organiza a informação, mas não transforma uma pesquisa em uma decisão vinculante do Fisco.
Boas práticas na consulta de NCM
Antes de concluir uma classificação, verifique:
- descrição completa;
- composição;
- matéria-prima;
- finalidade;
- forma de funcionamento;
- apresentação;
- embalagem;
- aplicação;
- regras interpretativas;
- notas de seção e capítulo;
- vigência;
- existência de EX;
- soluções de consulta;
- histórico do código.
A tabela NCM vigente pode ser consultada e baixada no Sistema Classif da Receita Federal. A Receita também informa que o arquivo vigente não contém, por si só, todos os códigos passados ou futuros; para isso, deve ser utilizado o histórico do sistema.
Boas práticas na consulta de CNAE
Antes de alterar ou cadastrar uma atividade, verifique:
- o que a empresa realmente faz;
- como obtém sua receita;
- descrição oficial do código;
- notas explicativas;
- atividades compreendidas;
- atividades não compreendidas;
- CNAE principal;
- CNAEs secundários;
- regras do Simples Nacional;
- licenciamento;
- exigências municipais;
- exigências estaduais;
- conselho profissional, quando aplicável.
A busca oficial da Concla permite pesquisar códigos por atividade, descrição ou palavra-chave, além de consultar a posição do código na estrutura e suas notas explicativas.
Perguntas frequentes sobre tributação de NCM e CNAE
NCM e CNAE são a mesma coisa?
Não. O CNAE identifica a atividade econômica da empresa, enquanto a NCM classifica mercadorias.
Toda empresa precisa de NCM?
Empresas que comercializam ou industrializam mercadorias precisam utilizar NCM nos documentos fiscais dos produtos. Prestadores exclusivamente de serviços normalmente trabalham principalmente com códigos de serviço e CNAEs.
Uma NCM define sozinha a tributação do produto?
Não. Também precisam ser analisados a descrição, a operação, o estado, o segmento, a vigência, o CEST e a legislação aplicável.
Como saber se um produto é monofásico?
No é-NCM, é possível consultar a NCM, acessar PIS e Cofins e verificar a existência da Operação 04 — Monofásica. Também é necessário confirmar a descrição e a vigência.
Como saber se um produto possui ICMS-ST?
O usuário pode consultar a NCM no módulo, selecionar ICMS-ST e informar o estado. Depois, deve verificar segmento, descrição e vigência.
O que significa EX na NCM?
É uma exceção associada a parte das mercadorias de determinado código, que pode possuir taxa ou tratamento diferente da regra geral da NCM.
Uma empresa pode ter vários CNAEs?
Sim. Ela pode possuir um CNAE principal e diferentes CNAEs secundários, desde que representem atividades efetivamente exercidas.
Um CNAE secundário pode impedir o Simples Nacional?
Sim. O exercício de atividade vedada pode impedir a opção ou a permanência no regime, mesmo que a atividade seja secundária.
O CNAE define automaticamente o anexo?
Não em todos os casos. É necessário analisar a atividade efetivamente exercida, a natureza da receita e regras como o fator R.
O é-NCM corrige automaticamente o cadastro?
A documentação consultada apresenta o módulo como uma ferramenta de consulta. A correção e a decisão final precisam ser realizadas e validadas pelo profissional.
O é-CNAE substitui a análise da legislação?
Não. A consulta ajuda a localizar e organizar informações, mas o profissional deve conferir a regulamentação e a realidade da empresa.
Conclusão
NCM e CNAE são códigos diferentes, mas igualmente importantes para a tributação.
O CNAE informa quais atividades a empresa exerce.
A NCM identifica as mercadorias comercializadas.
Quando essas informações estão incorretas, o problema pode se espalhar por toda a rotina fiscal.
A empresa pode emitir notas inadequadas, segregar receitas de forma incorreta, recolher impostos indevidamente ou até comprometer seu enquadramento no Simples Nacional.
O é-NCM ajuda o contador a consultar informações tributárias dos produtos, analisar operações monofásicas, verificar possíveis enquadramentos no ICMS-ST, conferir vigências e compreender exceções relacionadas à classificação.
O é-CNAE apoia a pesquisa das atividades econômicas e a análise do cadastro empresarial.
Com essas ferramentas, o escritório reduz pesquisas repetitivas, melhora a qualidade dos cadastros e atua de forma mais preventiva.
Além disso, a revisão de NCM e CNAE pode se transformar em um novo serviço.
O contador pode oferecer diagnósticos, saneamento cadastral, revisão tributária, análise de enquadramento e acompanhamento periódico.
Em vez de descobrir o erro somente depois da apuração, o escritório corrige a origem da informação.
E, ao fazer isso, entrega mais segurança para o cliente e cria novas oportunidades de honorários.
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